março 21, 2005

Carta escrita em 2070

"Estamos no ano de 2070, acabo de completar os 50, mas a minha aparência é
de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me
resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente.
Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu
podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele.
Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira.
Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.

Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira.
Hoje os meninos não acreditam que a agua se utilizava dessa forma.
Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA AGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais se podia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão
irreversivelmente contaminados ou esgotados.
Antes a quantidade de agua indicada como ideal para beber era oito copos
por dia por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta
grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços
sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não se
usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela
desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não
têm a capa de ozono que os filtrava na atmosfera.
Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias
são as principais causas de morte.
A industria está paralisada e o desemprego é dramático.
As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te
com agua potável em vez de salário.
Os assaltos por um bidão de agua são comuns nas ruas desertas.
A comida é 80% sintética. Pela ressiquidade da pele uma jovem de 20 anos
está como se tivesse 40.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível.
Não se pode fabricar agua, o oxigénio também está degradado por falta de
arvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como
consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. 137 m3 por dia por
habitante e adulto.
A gente que não pode pagar é retirada das "zonas ventiladas", que estão
dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar,
não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade média é de 35 anos.
Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio que
é fortemente vigiado pelo exercito, a agua tornou-se um tesouro muito
cobiçado mais do que o ouro ou os diamantes.
Aqui em troca, não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a
registar-se precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano tem sido
severamente transformadas pelas provas atómicas e da industria contaminante
do século XX.
Advertia-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso.
Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o
bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que
era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a agua que
quisesse, o saudável que era a gente.
Ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a agua?
Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado,
porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente ou
simplesmente não tomámos em conta tantos avisos.
Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida
na terra já não será possível dentro de muito pouco porque a destruição do
meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse
isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta terra!"

Documento extraído da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos" de Abril
de 2002.

Publicado por Roxy em março 21, 2005 12:01 AM
Comentários

Ora viva... Espero não estar cá para ver isso... mulheres de cabeça rapada não gosto, mas os banhos agradam-me pois sou gajo de duche. Mulheres a cheirar a azeite mineral também não deve ser nada agradável... afinal o holocausto sempre virá, o que é uma pena. Um abraço... SHAKERMAKER

Afixado por: shakermaker.blogs.sapo.pt em março 24, 2005 01:01 PM

Pois é, mas deve tb haver uma preocupação ainda maior com não poluir o ambiente e com isso da água, deve-se também melhorar aas investigações de forma a melhorar a qualidade da água, e de recuperação da água poluida...só com medidas deste género poderemos realmente passar ao lado do que está escrito nesta carta...

Afixado por: Cosmic Men em março 21, 2005 10:28 AM

Bolas que isto está mesmo mauzinho!
Vou aproveitar para tomar um banhito... que qualquer dia não posso!

Afixado por: mfc em março 21, 2005 03:35 AM

Recebi isto por mail e de facto é uma visão terrível e bem possível.

Afixado por: wind em março 21, 2005 12:40 AM